estas coisas que cabem cá dentro de nós, que não se desfiguram por as chamarmos de coisas, muito pelo contrário, é a indefinição ou inversamente a pluralidade de conteudos e sentimentos que contêm que lhe cosem este nome como os pais cosem as algibeiras das crianças quando lhe dão trocos para comprar um ou outro mimo - portanto na perfeiçao, tiram-nos o peso dos dias.
[Por falar em mimos, ao fim de semana apetece-me sempre algo doce. Estou no preciso momento a tentar matar a vontade. É caseiro e portanto, também aquece. Melhor ainda.]
Estas coisas que cabem cá dentro de nós, que apetecem expressar mas que nos tornam também angustiosamente mudos, tiram-nos o peso. O peso do passar, o peso do querer, o peso do desejar, o peso do olhar, o peso da falta, o peso da vida, o peso dos outros, o peso dos sonhos. No fundo o "peso" de não-amar.
Parece estar provado que quanto mais sentimos (e o outro a sentir por nós), fica-se mais leve, como a respiração. Tornamo-nos quase bons desportistas, apetece correr, andar, saltar, saltitar, caminhar, nadar. Apetece quase tudo. Excepto parar. Excepto esperar. Porque quando se esperam estas coisas que cabem cá dentro, nem será o peso que falava a deixar-nos cair. o que verdadeiramente deixa cair, é a pele que há em nós, que parece já não saber viver com as coisas que cabem cá dentro e que aconteceram ontem, que nos atormenta e espenica, nos pede, quase implora, por mais, por mais das coisas, daquelas coisas que cabem cá dentro e não se acomodam enquanto houver espaço para mais.
E escreve-se de fininho e pequenino, para que não sejam as palavras a ter mais destaque do que a experiência que é vive-las. E que depois só quem as sente é quem as lê.