"Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo..."
"Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz.
E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...São precisos rituais."
por ocasião do 110º aniversário de Saint-Exupery
um blog plenamente produssumidor
Os humanos, assim como os produtos e os serviços, também são alvo de posicionamento e segmentação; somos pois, também nós, uma marca. HumanBrand é, chamemos-lhe assim, [a minha] marca pessoal no mundo virtual, ou deverei chamar-lhe, pois então, apenas mais uma das nossas tantas acções de comunicação?
terça-feira, 29 de junho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
não tinha
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo,
assim triste,
assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples,
tão certa,
tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Cecília Meireles
Assim calmo,
assim triste,
assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples,
tão certa,
tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Cecília Meireles
quinta-feira, 24 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
perguntas
ao som do trompete, como quem sopra notas de música de sinfonia clássica em ritmo jazzuistisco, perguntas-me pela camisola amarela que fazia pandam com o porta chaves que teimosamente usavas naquele primeiro verão de setenta e oito, sempre com as três chaves dos teus três quartos.
Eu digo-te que o teu relógio memorial está atrasado, o verão da camisola amarela era o de noventa e oito, são vinte anos de diferença e parece ainda a vida uma criança.
Pergunto-te, eu agora como quem toca num piano já gasto pelas notas musicais de uma tal de boheme, que confusão é necessária ter para cortar vinte anos como quem pisca o olho no primeiro minuto que acorda.
Tu, em assalto à poesia que emanava de um som esbatido em notas soltas, soltas uma gargalhada como quem toca aquele instrumento que só se ouve com humor e sentido interpretativo de como uma anedota é a assaz resistência à permuta que se faz com o diabo.
Dizes - Não é o meu relógio memorial que está atrasado. Eu explico-te, a vida não é feita de tempo nem de anos. A vida é feita de espaço. Estamos num dos três quartos, o único que sobrou depois dos filhos crescerem. É nosso, outra vez, pela primeira vez sempre que assim o desejarmos ( um quarto será sempre novo se dormirmos com a mesma pessoa). Olha a tua volta e vê: voltámos a falar na cama. Tal como no verão de setenta e oito dias sem manhãs. Aquele em que todos os dias puxava da cadeira aquela camisa amarela ao mesmo tempo que tu, teimosamente me puxavas de volta à cama. Aquele em que o porta-chaves que no chão caia ao primeiro beijo que me davas se quase colava ao chão de nunca lá sair. Aquele em que não havia perguntas, para falarmos. Onde as manhãs não eram, só nós eramos.
E nisto digo-te - Nunca a minha resposta será o tempo. Nunca uma data saber-me-á situar no tempo. Só o espaço.
E sabemos, nada é uma questão de tempo.
Eu digo-te que o teu relógio memorial está atrasado, o verão da camisola amarela era o de noventa e oito, são vinte anos de diferença e parece ainda a vida uma criança.
Pergunto-te, eu agora como quem toca num piano já gasto pelas notas musicais de uma tal de boheme, que confusão é necessária ter para cortar vinte anos como quem pisca o olho no primeiro minuto que acorda.
Tu, em assalto à poesia que emanava de um som esbatido em notas soltas, soltas uma gargalhada como quem toca aquele instrumento que só se ouve com humor e sentido interpretativo de como uma anedota é a assaz resistência à permuta que se faz com o diabo.
Dizes - Não é o meu relógio memorial que está atrasado. Eu explico-te, a vida não é feita de tempo nem de anos. A vida é feita de espaço. Estamos num dos três quartos, o único que sobrou depois dos filhos crescerem. É nosso, outra vez, pela primeira vez sempre que assim o desejarmos ( um quarto será sempre novo se dormirmos com a mesma pessoa). Olha a tua volta e vê: voltámos a falar na cama. Tal como no verão de setenta e oito dias sem manhãs. Aquele em que todos os dias puxava da cadeira aquela camisa amarela ao mesmo tempo que tu, teimosamente me puxavas de volta à cama. Aquele em que o porta-chaves que no chão caia ao primeiro beijo que me davas se quase colava ao chão de nunca lá sair. Aquele em que não havia perguntas, para falarmos. Onde as manhãs não eram, só nós eramos.
E nisto digo-te - Nunca a minha resposta será o tempo. Nunca uma data saber-me-á situar no tempo. Só o espaço.
E sabemos, nada é uma questão de tempo.
domingo, 20 de junho de 2010
editar
se te pedirem para descrever o que sentes por alguém e a tua resposta estiver na ponta da língua, duvida do sentimento. Ao mesmo tempo, se, por outro lado, demorares demasiado a dize-lo terás também em ti a duvida, não do sentimento, mas sim da razão que o sentimento tem em ti. Lembra-te, não há ideias, os sentimentos não têm regras, são de livre arbitrio. Excepto em repetição. Não podes repetir, não podes não sentir.
Ter e possuir sentimento é desresponsabilizar a forma como o dizer. O romantico, o directo, o simples, o erudito, o barroco, o eclético, o eloquente são somente formas, te-lo é somente ser verdadeiro. A verdade não se tem na ponta da lingua, a verdade do sentimento tem-se no acto de o sentir. E descreve-lo no mesmo tempo limite como dizer o nosso nome é torná-lo comum. E demorar demasiado tempo a descreve-lo é senti-lo de igual equilibro com a razão.
Talvez esse seja o unico equilibrio a quebrar.
Ter e possuir sentimento é desresponsabilizar a forma como o dizer. O romantico, o directo, o simples, o erudito, o barroco, o eclético, o eloquente são somente formas, te-lo é somente ser verdadeiro. A verdade não se tem na ponta da lingua, a verdade do sentimento tem-se no acto de o sentir. E descreve-lo no mesmo tempo limite como dizer o nosso nome é torná-lo comum. E demorar demasiado tempo a descreve-lo é senti-lo de igual equilibro com a razão.
Talvez esse seja o unico equilibrio a quebrar.
bye bye train
quinta-feira, 17 de junho de 2010
andei
andei no teu corpo há bem pouco tempo
sentei-me nos lugares mais impróprios
esgueirei-me no teu umbigo quando dançavas
na palma da tua mão passei adormecida
conversei de roda contigo
e respondias-me em movimentos
da palma da tua mão levavas-me à boca
não era sono, era estar próxima
falar na mesma lingua
dizem os que amam
que o sabor do beijo é igual
eu não sei se é igual
a unica coisa que sei
é que andei no teu corpo
que te procurei em cada pixel da pele
dizem os amantes da imagem
que os pixeis são o pormenor revelador da perfeição
e que neles o que vi
é o caminho
que não percorri de proposito
a estrada é larga demais para um só
sentei-me nos lugares mais impróprios
esgueirei-me no teu umbigo quando dançavas
na palma da tua mão passei adormecida
conversei de roda contigo
e respondias-me em movimentos
da palma da tua mão levavas-me à boca
não era sono, era estar próxima
falar na mesma lingua
dizem os que amam
que o sabor do beijo é igual
eu não sei se é igual
a unica coisa que sei
é que andei no teu corpo
que te procurei em cada pixel da pele
dizem os amantes da imagem
que os pixeis são o pormenor revelador da perfeição
e que neles o que vi
é o caminho
que não percorri de proposito
a estrada é larga demais para um só
domingo, 6 de junho de 2010
Rua das cartas sem regresso
honrar o código,
iluminar as ruas,
usar a toca do banho,
gravar o número de casa
na barriga o filho pródigo
era ve-los cumprimentar assim,
da primeira vez que o carteiro
lhe levou a primeira carta do divórcio
não fora à porta de casa,
mas sim, cá fora
no parque com altos jasmins
[ as flores tinham a altura do calor da estação ]
as casas só existem para se entrar,
como lera no jornal do dia:
quem cá mora
só sabe que a rua não é vazia
pelas mãos do recém contratado dos correios
terá ele sido enganado pelo nome da rua?
iluminar as ruas,
usar a toca do banho,
gravar o número de casa
na barriga o filho pródigo
era ve-los cumprimentar assim,
da primeira vez que o carteiro
lhe levou a primeira carta do divórcio
não fora à porta de casa,
mas sim, cá fora
no parque com altos jasmins
[ as flores tinham a altura do calor da estação ]
as casas só existem para se entrar,
como lera no jornal do dia:
quem cá mora
só sabe que a rua não é vazia
pelas mãos do recém contratado dos correios
terá ele sido enganado pelo nome da rua?
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