um blog plenamente produssumidor

Os humanos, assim como os produtos e os serviços, também são alvo de posicionamento e segmentação; somos pois, também nós, uma marca. HumanBrand é, chamemos-lhe assim, [a minha] marca pessoal no mundo virtual, ou deverei chamar-lhe, pois então, apenas mais uma das nossas tantas acções de comunicação?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

perguntas

ao som do trompete, como quem sopra notas de música de sinfonia clássica em ritmo jazzuistisco, perguntas-me pela camisola amarela que fazia pandam com o porta chaves que teimosamente usavas naquele primeiro verão de setenta e oito, sempre com as três chaves dos teus três quartos.
Eu digo-te que o teu relógio memorial está atrasado, o verão da camisola amarela era o de noventa e oito, são vinte anos de diferença e parece ainda a vida uma criança.
Pergunto-te, eu agora como quem toca num piano já gasto pelas notas musicais de uma tal de boheme, que confusão é necessária ter para cortar vinte anos como quem pisca o olho no primeiro minuto que acorda.
Tu, em assalto à poesia que emanava de um som esbatido em notas soltas, soltas uma gargalhada como quem toca aquele instrumento que só se ouve com humor e sentido interpretativo de como uma anedota é a assaz resistência à permuta que se faz com o diabo.
Dizes - Não é o meu relógio memorial que está atrasado. Eu explico-te, a vida não é feita de tempo nem de anos. A vida é feita de espaço. Estamos num dos três quartos, o único que sobrou depois dos filhos crescerem. É nosso, outra vez, pela primeira vez sempre que assim o desejarmos ( um quarto será sempre novo se dormirmos com a mesma pessoa). Olha a tua volta e vê: voltámos a falar na cama. Tal como no verão de setenta e oito dias sem manhãs. Aquele em que todos os dias puxava da cadeira aquela camisa amarela ao mesmo tempo que tu, teimosamente me puxavas de volta à cama. Aquele em que o porta-chaves que no chão caia ao primeiro beijo que me davas se quase colava ao chão de nunca lá sair. Aquele em que não havia perguntas, para falarmos. Onde as manhãs não eram, só nós eramos.
E nisto digo-te - Nunca a minha resposta será o tempo. Nunca uma data saber-me-á situar no tempo. Só o espaço.
E sabemos, nada é uma questão de tempo.

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