o passar dos dias nunca me assustou tanto.
onde ficou o meu barco encalhado?
um blog plenamente produssumidor
Os humanos, assim como os produtos e os serviços, também são alvo de posicionamento e segmentação; somos pois, também nós, uma marca. HumanBrand é, chamemos-lhe assim, [a minha] marca pessoal no mundo virtual, ou deverei chamar-lhe, pois então, apenas mais uma das nossas tantas acções de comunicação?
domingo, 6 de março de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
transparecer
há dias em que o nível de transparência é zero.
simplesmente aquilo que sentes, és.
sabes isso quando o chefe te fala preocupado a dizer que se quiser posso tirar uns dias para descansar.
simplesmente aquilo que sentes, és.
sabes isso quando o chefe te fala preocupado a dizer que se quiser posso tirar uns dias para descansar.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
querer
não, eu não quero alguém que fale a minha língua.
eu quero alguém que fale com o meu coração.
não quero alguém que me perceba quando me explico
quero alguém que me entenda sem explicar
e também não quero alguém que me compreenda
quero alguém que me conheça
eu quero alguém que fale com o meu coração.
não quero alguém que me perceba quando me explico
quero alguém que me entenda sem explicar
e também não quero alguém que me compreenda
quero alguém que me conheça
sábado, 19 de fevereiro de 2011
onda anda a minha voz
Sentada à mesa do jantar, troco com a família considerações de recém-licenciada. Constato, pela primeira vez e com alguma violência, que o mundo contemporâneo não foi feito para mim. Ou que eu não fui feita para o mundo contemporâneo. Sinto - fulminantemente e obscuramente e dolorosamente - que a matéria de que sou feita não poderá resistir a um só dos maravilhosos planos que a civilização humana tem preparados para mim desde há séculos: ser mulher, mãe, trabalhadora, cidadã. Crente, protestante. Ser amiga, ser amante. Sou uma peça do puzzle que não encaixa, um produto industrial com defeito de fabrico. Tenho por dentro um intruso, um inimigo invencível. Estou à mercê de um predador implacável. Compreendam: eu não posso esperar pelo Natal para que possa dizer que vos estimo. Eu não posso esperar pelo fim das coisas para que possa dizer que vos desejo bem. Do que eu preciso é de um mundo onde possa citar Rilke sem correr o risco de ser internada. Onde possa viver livremente o meu romantismo sôfrego e vagamente idiota. Um mundo onde possa aparecer - sem livro para devolver, sem DVD para pedir emprestado - e dizer «Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta»!
Ouvir dizer «amo-te» era fácil, hoje já é mais complicado. Requer muito treino, não estamos preparados. Fomos educados para sermos acima de tudo eficazes. Nada nos foi dito na aula de descer abismos. Nada vem escrito nos livros que lemos. Tudo nos abala, nos confunde. Nos funde por vezes com o que, depois vemos, não é digno do nosso amor.
Ah, o amor. O amor faz-se se houver tempo. O amor faz-se aos bocadinhos e só se convier. O amor faz-se na pausa para o café. O amor é uma aberração. O amor mete medo. Chega-te para lá com esse «adoro-te»! Não me venhas com esse «gosto de ti»! Cai-nos a PIDE do amor em cima, és apanhado e vais dentro. O amor quer-se preso pela trela. O amor quer-se de castigo no canto da sala. Pouca conversa, pouco barulho. O amor custa. Perde-se tempo e dinheiro. O amor está fora de moda. Não condiz com as batas brancas da biologia nem com os botões coloridos da tecnologia nem com a cor do papel dos contratos pré-nupciais. O amor é para meninos, ser-se crescido é outra coisa. O amor foi-nos confiscado.
Não contem comigo. Eu não tenho jeito nenhum para ser a pessoa que todos esperam. Não tenho competência para ficar a ver o amor passar sem correr atrás. Compreendam: o amor é a minha campainha de Pavlov.
Estímulo-resposta, como me foi explicado na escola de fazer profissionais.
Eu não tenho jeito para telefonemas nem para passeios em centros comerciais.
Não contem comigo para ser cão que ladra mas não morde. Não contem comigo para não dizer o que não é suposto. Para cancelar beijos, inventar pretextos, sufocar euforias, adiar alegrias. Para vos escutar em silêncio.
Para vos poupar ao meu amor, não contem comigo. Compreendam: eu não me posso comprometer.
Susana Cristina Marques Santos, in 'Textos de Amor – Museu Nacional da Imprensa'
Ouvir dizer «amo-te» era fácil, hoje já é mais complicado. Requer muito treino, não estamos preparados. Fomos educados para sermos acima de tudo eficazes. Nada nos foi dito na aula de descer abismos. Nada vem escrito nos livros que lemos. Tudo nos abala, nos confunde. Nos funde por vezes com o que, depois vemos, não é digno do nosso amor.
Ah, o amor. O amor faz-se se houver tempo. O amor faz-se aos bocadinhos e só se convier. O amor faz-se na pausa para o café. O amor é uma aberração. O amor mete medo. Chega-te para lá com esse «adoro-te»! Não me venhas com esse «gosto de ti»! Cai-nos a PIDE do amor em cima, és apanhado e vais dentro. O amor quer-se preso pela trela. O amor quer-se de castigo no canto da sala. Pouca conversa, pouco barulho. O amor custa. Perde-se tempo e dinheiro. O amor está fora de moda. Não condiz com as batas brancas da biologia nem com os botões coloridos da tecnologia nem com a cor do papel dos contratos pré-nupciais. O amor é para meninos, ser-se crescido é outra coisa. O amor foi-nos confiscado.
Não contem comigo. Eu não tenho jeito nenhum para ser a pessoa que todos esperam. Não tenho competência para ficar a ver o amor passar sem correr atrás. Compreendam: o amor é a minha campainha de Pavlov.
Estímulo-resposta, como me foi explicado na escola de fazer profissionais.
Eu não tenho jeito para telefonemas nem para passeios em centros comerciais.
Não contem comigo para ser cão que ladra mas não morde. Não contem comigo para não dizer o que não é suposto. Para cancelar beijos, inventar pretextos, sufocar euforias, adiar alegrias. Para vos escutar em silêncio.
Para vos poupar ao meu amor, não contem comigo. Compreendam: eu não me posso comprometer.
Susana Cristina Marques Santos, in 'Textos de Amor – Museu Nacional da Imprensa'
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
A razão de amar é o amor
Não te esqueças de que a tua frase é um acto. Se desejas levar-me a agir, não pegues em argumentos. Julgas que me deixarei determinar por argumentos? Não me seria difícil opor, aos teus, melhores argumentos.
Já viste a mulher repudiada reconquistar-te através de um processo em que ela prova que tem razão? O processo irrita. Ela nem sequer será capaz de te recuperar mostrando-te tal como tu a amavas, porque essa já tu a não amas. Olha aquela infeliz que, nas vésperas do divórcio, teve a ideia de cantar a mesma canção triste que cantava quando noiva. Essa canção triste ainda tornou o homem mais furioso.
Talvez ela o recuperasse se o conseguisse despertar tal como ele era quando a amava. Mas para isso precisaria de um génio criador, porque teria de carregar o homem de qualquer coisa, da mesma maneira que eu o carrego de uma inclinação para o mar que fará dele construtor de navios. Só assim cresceria essa árvore que depois se iria diversificando. E ele havia de pedir de novo a canção triste.
Para fundar o amor por mim, faço nascer em ti alguém que é para mim. Não te confessarei o meu sofrimento, porque ele te faria desgostar de mim. Não te farei censuras: elas irritar-te-iam justamente. Não te direi as razões que tu tens para amar-me, porque não as tens. A razão de amar é o amor. Também não me mostrarei mais, tal como tu me desejavas. Porque tu já não desejas esse. Se não, amar-me-ias ainda. Mas educar-te-ei para mim. E, se sou forte, mostrar-te-ei uma paisagem que fará de ti meu amigo.
Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"
Já viste a mulher repudiada reconquistar-te através de um processo em que ela prova que tem razão? O processo irrita. Ela nem sequer será capaz de te recuperar mostrando-te tal como tu a amavas, porque essa já tu a não amas. Olha aquela infeliz que, nas vésperas do divórcio, teve a ideia de cantar a mesma canção triste que cantava quando noiva. Essa canção triste ainda tornou o homem mais furioso.
Talvez ela o recuperasse se o conseguisse despertar tal como ele era quando a amava. Mas para isso precisaria de um génio criador, porque teria de carregar o homem de qualquer coisa, da mesma maneira que eu o carrego de uma inclinação para o mar que fará dele construtor de navios. Só assim cresceria essa árvore que depois se iria diversificando. E ele havia de pedir de novo a canção triste.
Para fundar o amor por mim, faço nascer em ti alguém que é para mim. Não te confessarei o meu sofrimento, porque ele te faria desgostar de mim. Não te farei censuras: elas irritar-te-iam justamente. Não te direi as razões que tu tens para amar-me, porque não as tens. A razão de amar é o amor. Também não me mostrarei mais, tal como tu me desejavas. Porque tu já não desejas esse. Se não, amar-me-ias ainda. Mas educar-te-ei para mim. E, se sou forte, mostrar-te-ei uma paisagem que fará de ti meu amigo.
Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
o mundo maravilhoso das crianças
Miudo - tu não vais trabalhar?
Eu - Não, estou doente, vim para casa.
Miudo - (com grande sorriso estampado na cara) - eu também estou doente. Não vou à escola.
Eu - Pois, estamos os dois doentes.
Miudo - BOA!!(novo sorriso estampado na cara.) Podemos então ir brincar?
Eu - Não, estou doente, vim para casa.
Miudo - (com grande sorriso estampado na cara) - eu também estou doente. Não vou à escola.
Eu - Pois, estamos os dois doentes.
Miudo - BOA!!(novo sorriso estampado na cara.) Podemos então ir brincar?
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
imaginar
Temos aqueles períodos de controvérsia. Eu chamo-lhe controvérsia mas também lhe poderia chamar de reflexão. São aqueles períodos em que te voltas a ver só, és tu o espelho e o que foste e o que fizeste. Sem mais.
Foi esse um período recente em mim, onde o corpo era mais que a alma, onde a alma era mais do que se podia aguentar. Aí debati-me, desafiei-me e pus-me um sem número de hipóteses, fiz-me um futuro enumerado e listado para o forçar a ser. Só porque não te imaginava aí.
Há coisas que só se sabem assim. Não é o sonho que nos mantém, é a imaginação. A imaginação, a força da imaginação determina o que pode ser real ou não. O sonho é só o céu e as escadas são infinitas. Assim foi claro a tua necessidade, assim foi claro que a imaginação é uma realidade.
Foi naquele momento em que não te imaginei comigo, foi no momento em que me imaginei sem ti. Naquele momento em que não te encontrava, em que não havia um bocadinho do amanhã para imaginar contigo. Nesse momento veio o sonho. Como é pesado o sonho. Vestia-o mesmo deitada e ainda assim não podia com ele. Foi como descobrir que tinha novamente 18 anos.
Aos 18 eu sonhava, aos 28 já imaginava e agora quando parte do percurso se cumpria tu chamavas-me outra vez criança.
Vá, não é que desgoste. Na verdade sou isso mesmo, mas com 28 anos. Já sei chamar-te amor.
Já não sei sonhar amor. Já só sei imaginar amor.
E quando tu num vendaval de silêncio me deixaste sem conseguir imaginar a coisa ficou torta.
Ele eram segundos que eram minutos que eram horas que eram dias que era tudo noite, valha-me deus.
E depois,
ahh! Terá sido tudo só um sonho mau?
É que hoje nem isso me passa pela imaginação.
Só o teu eu, agora, outra vez. de vez, espero.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
frio
parece que já saiu a gama Outono/Inverno dos gelados Olá.
Chamam-se pessoas e falam...quando conseguem. brrr...
bendito cravo
domingo, 23 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
ser digno
Na maior parte das vezes é no momento seguinte ao estarmos a falar dos outros que nos lembramos de nós próprios. Surge-me então o pensamento de que na maior parte das vezes não nos colocamos nós no centro do universo, mas sim ao outro. E que o centro do universo do outro tem consequências, e só aí aparecemos - o nosso eu.
Poderá ser uma verdade perturbadora, esta.
E também tenho ideia de que isto nada tem a ver com a inveja, mas também tem pouco de digno. Se tiver de atribuir algum porquê dar-lo-ia ao descrédito que nos damos a nós próprios, o descrédito e a atenção. E tem a ver com o facto de nos querermos de menos.
Somos na verdade pouco dignos de nós próprios e tanto mais dos outros.
Poderá ser uma verdade perturbadora, esta.
E também tenho ideia de que isto nada tem a ver com a inveja, mas também tem pouco de digno. Se tiver de atribuir algum porquê dar-lo-ia ao descrédito que nos damos a nós próprios, o descrédito e a atenção. E tem a ver com o facto de nos querermos de menos.
Somos na verdade pouco dignos de nós próprios e tanto mais dos outros.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
2 coisas
1 - o google é uma ferramenta extraordinária
2 - o samsung galaxy igualmente
conclusão - estou addicted ao sistema android
2 - o samsung galaxy igualmente
conclusão - estou addicted ao sistema android
domingo, 2 de janeiro de 2011
só porque é tim burton
2010-2011
1
as passas sabiam a desejos,
sem ter de os dizer ou pensar.
2
Quem queremos enganar nós,
que escrevemos com a mão esquerda e apagamos com a direita?
3
mas sei que mesmo de olhos abertos e com uma tendência natural para escrever sempre com a mesma mão, nunca fui boa a desenhar por cima.
4
será este o ano em que as linhas não são tortas?
as passas sabiam a desejos,
sem ter de os dizer ou pensar.
2
Quem queremos enganar nós,
que escrevemos com a mão esquerda e apagamos com a direita?
3
mas sei que mesmo de olhos abertos e com uma tendência natural para escrever sempre com a mesma mão, nunca fui boa a desenhar por cima.
4
será este o ano em que as linhas não são tortas?
amor E não amor
"..., só que naquele dia ele não estava à altura de tão difícil tarefa, o mundo dos adultos, nesse ponto da sua vida era para ele algo de insondável, e não conseguia de todo entender o paradoxo da coexistência em partes iguais de amor e discórdia. Para ele, ou era uma coisa ou era a outra, amor ou não amor, mas não amor e não amor ao mesmo tempo. "
paul auster, sunset park
paul auster, sunset park
sábado, 1 de janeiro de 2011
ser surpreendido:
Ser surpreendido por tudo é claro que é estupido, e não ser supreendido por nada é algo que é considerado muito melhor. Mas isso não é realmente verdade. A minha mente não ser surpreendida por nada é muito mais estúpido do que ser surpreendido por tudo. Além disso, não ser surpreendido por nada é quase igual a não se sentir respeito por nada. E é realmente um homem estúpido aquele que é incapaz de sentir respeito.
Fiodor Dostoievski, in "Bobok"
Fiodor Dostoievski, in "Bobok"
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