Temos aqueles períodos de controvérsia. Eu chamo-lhe controvérsia mas também lhe poderia chamar de reflexão. São aqueles períodos em que te voltas a ver só, és tu o espelho e o que foste e o que fizeste. Sem mais.
Foi esse um período recente em mim, onde o corpo era mais que a alma, onde a alma era mais do que se podia aguentar. Aí debati-me, desafiei-me e pus-me um sem número de hipóteses, fiz-me um futuro enumerado e listado para o forçar a ser. Só porque não te imaginava aí.
Há coisas que só se sabem assim. Não é o sonho que nos mantém, é a imaginação. A imaginação, a força da imaginação determina o que pode ser real ou não. O sonho é só o céu e as escadas são infinitas. Assim foi claro a tua necessidade, assim foi claro que a imaginação é uma realidade.
Foi naquele momento em que não te imaginei comigo, foi no momento em que me imaginei sem ti. Naquele momento em que não te encontrava, em que não havia um bocadinho do amanhã para imaginar contigo. Nesse momento veio o sonho. Como é pesado o sonho. Vestia-o mesmo deitada e ainda assim não podia com ele. Foi como descobrir que tinha novamente 18 anos.
Aos 18 eu sonhava, aos 28 já imaginava e agora quando parte do percurso se cumpria tu chamavas-me outra vez criança.
Vá, não é que desgoste. Na verdade sou isso mesmo, mas com 28 anos. Já sei chamar-te amor.
Já não sei sonhar amor. Já só sei imaginar amor.
E quando tu num vendaval de silêncio me deixaste sem conseguir imaginar a coisa ficou torta.
Ele eram segundos que eram minutos que eram horas que eram dias que era tudo noite, valha-me deus.
E depois,
ahh! Terá sido tudo só um sonho mau?
É que hoje nem isso me passa pela imaginação.
Só o teu eu, agora, outra vez. de vez, espero.
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