um blog plenamente produssumidor

Os humanos, assim como os produtos e os serviços, também são alvo de posicionamento e segmentação; somos pois, também nós, uma marca. HumanBrand é, chamemos-lhe assim, [a minha] marca pessoal no mundo virtual, ou deverei chamar-lhe, pois então, apenas mais uma das nossas tantas acções de comunicação?

sábado, 25 de dezembro de 2010

histórias

as histórias só não se repetem se for com pessoas diferentes.
desde pequena que as minhas histórias são as mesmas.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

sábado, 11 de dezembro de 2010

saber

nem sempre o conhecimento nos faz bem.
meti cortinas de ferro em todas as janelas e um cadeado na porta.
a chave perdi-a.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

frio

tenho os pés demasiado frios para outros.

mão cheia


tenho uma mão cheia de filmes porque nunca precisei tanto de ouvir histórias.

serei eu?


Serei só eu quem deu o nome à rua. Serei só eu que a percorro. Serei só eu que a acho demasiado longa para se virar no primeiro cruzamento. Serei só eu que ainda a percorro. Serei só eu que vejo os candeeiros acesos pela noite dentro. Serei só eu que tenho todas as chaves das casas. Serei só eu que ando descalça nela. Serei só eu que lhe reconheço histórias. Serei só eu que li e senti a sua toponímia. Serei só? Serei só eu? Será que nunca houve rua?

domingo, 5 de dezembro de 2010

memories

the bedroom at arles, vincent van gogh

compras de natal

e para já, é isto.

sorrisos colectivos

ele

descobriu que me rio toda quando diz "menananico",
e agora, só para me contrariar, diz: "o homem que arranja os carros".

e,

eventualmente poderei mudar algumas coisas aqui,
neste espaço vazio.
mas sem urgência nem olhares.

assim,

assim sem querer ou sentir ou procurar razões,
hoje o dia é só musica,
[abrunhosa, cat power, facto delafé, the gift]
e leituras em dia, e hobbies em dia,
sem horas marcadas, sem decisões,

sem mim no mundo,
mas o mundo em mim.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

o amor


não há hipótese. eu sou fã desta palavra. sou fã do amor ou melhor, sou fã de pessoas que se amam.
pessoas que acima de tudo se amam. acabei de ver uma troca de declarações de amor e por mais que durante o dia tenha milhares de ideias, milhares de pensamentos, milhares de radicalismo sobre a palavra, nunca deixarei de olhar para esta palavra como se fosse tudo o que sonhei.
sou e serei uma eterna fã de amor e não há como fugir a isso e não há como não sentir isso.
tenho-me como daquelas que acredita num amor a brincar e à séria, a brincar porque nos faz sentir crianças e à séria porque tem de ser para toda a vida. esse é o amor em que eu acredito.
o amor que eu quero. e não tenho como me remediar, sou assim desde que me conheço.
então, para o mal e para o bem, serei sempre fã de pessoas que se amam e não de pessoas que se tentam amar. e não de algumas expressões que comummente ouvimos - voltei a amá-lo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

exercício

obrigada pelo teu sorriso que me enche sempre mais, mesmo quando já parece impossível.
obrigada pelos nomes carinhosos com que me chamas.
obrigada por preferires o meu colo.
obrigada por me dizeres acorda gritando, só para depois me dares a mão dentro de casa.
obrigada por existires e mudares tudo.
obrigada por te saber aqui ao lado, saber que é fácil fazer-te sorrir.
obrigada por prenunciares o meu nome de tantas maneiras diferentes que nunca cansa.
obrigada por me meteres palavras novas no meu dicionário.
obrigada por estares atento às minhas expressões.
obrigada por me roubares as expressões e assim estarmos juntos.
obrigada por hoje, por amanhã.
obrigada por não sabendo, me perceberes.
obrigada pela ingenuidade e genuinidade,
obrigada por ser tão fácil estar contigo,
obrigada por balançares tudo,
obrigada por existirem crianças
por existires tu,
obrigada menino bd.

molhos


falta de amor, há-os aos molhos

domingo, 7 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

tamanhos


não tens de ser alto,
mas tens de ser grande
não tens de ser baixo,
mas usa salto alto

não tens de ser largo
mas estica os braços
não tens de ser fino,
mas usa roupas de cardo

não queiras ter grande
mas tens de ter bom
não queiras ter pequeno
nem que seja um aceno

não esperes os olhos,
mas sim coração
não esperas palavras
muito menos acção

há fatos que servem
sem fitas e medidas
há instintos criados
numa métrica de vida

o tamanho não é certo
nem nunca há-de ser
se procuras no longe
estás perto de perder

é da roda da sorte
que está o destino
a dois ou quatro pés
só no meio do remoinho

o caminho está perto

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

trocas

nada troca a palavra que procuras em todas as acções
tal como, já dizem, nada troca a acção que procuras em todas as palavras

domingo, 17 de outubro de 2010

in fact

de certa maneira que nem todos nos deixamos envolver
e nem a todos toca a filosofia do relógio

esta ultima que não é mais do que pensar um relógio com vida
na verdade, reconhecer-lhe a concepção de algo mais do que o tique-taque

e assim,
tê-lo no pulso, dá-nos uma certa teimosia em dar-lhe atenção
como se os minutos nos apontassem o dedo com o seu ponteiro

e quem se envolve a ponto de o querer acompanhar
só tem uma forma de o querer, à distância

They're calling us together

always dreaming

sábado, 18 de setembro de 2010

keep breathing

The storm is coming but i don't mind.
People are dying, i close my blinds.

All that i know is i'm breathing now.

I want to change the world...instead i sleep.
I want to believe in more than you and me.

But all that i know is i'm breathing.
All i can do is keep breathing.
All we can do is keep breathing now.

All that i know is i'm breathing.
All i can do is keep breathing.
All we can do is keep breathing now.

All we can do is keep breathing
All we can do is keep breathing
All we can do is keep breathing
All we can do is keep breathing.
All we can do is keep breathing now.

sinais

impressionante como deixamos passar sinais importantes,
durante uma vida toda

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

I don't know

I don't know if I prefer a ballon or an idea
in fact it don't matter
all i want is a trip



[ picture in construction ]

pergunta

Pode uma história de amor acabar?

Não.

barulho

o compasso dos pés a bater no chão
é o ritmo que um barulho insurdecedor - o silêncio - executa
ao sintonizar-se à musica de cada dia

e no fim,
tudo acaba por ser outra melodia

terça-feira, 7 de setembro de 2010

serviço publico é:

levar um condenado a sete anos por pedofilia à televisão para ele se desculpar, perdão se desresponsabilizar, mais uma vez perante nós, povo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

sinais do tempo

durante muito tempo tiveste os ouvidos abertos e os olhos atentos.
agora só o nome da rua está à vista.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

António Feio

Calculo o numero de posts feitos a este senhor no dia de hoje e na noite de ontem.
O meu só tem um objectivo - marcar a ideia de que a maior obra deste homem não é uma das que fazem parte do seu extenso currículo,

a maior obra deste homem é ter sabido viver melhor que muitos,
com uma doença que poucos conseguem sequer soletrar.

são estes que deviam ganhar os nobeis e demais prémios, meus senhores.
e são estes que deviam constituir a palavra herói.
( mas pensando bem, nem disso eles precisam, têm-se a eles. )

hierarquias?

Não, não há hierarquias nas relações entre boas pessoas. Hoje tive um dia interessante, foi o almoço de final de estágio de um rapaz porreiro com uma orientadora porreira. A ideia de um estagiario e de um orientador pressupõe na maior parte dos locais de trabalho uma hierarquia de mandamentos, e muitas vezes a rotina nos renega à habitué de dizer " o estagiário faz ". Eu própria algumas vezes, poucas vezes, porque sempre que o disse não o quis dizer, o fiz - ou porque o apresentava assim - o estagiário - ou porque em troca de opiniões surgia - enquanto estagiário - ou semelhantes. No entanto em todas as vezes nunca o considerei estagiário, o que queria dizer na verdade era: chama-se J. e está connosco três meses para trocarmos partilhas. Tal como hoje li - " se tu quiseres aprender ela recompensa-te com conhecimento" também hoje percebi que partilhar é realmente o melhor que podemos fazer em todos os níveis da nossa vida. E caneco, sabe tão bem. Sabe tão bem ser pessoa, como seria bom se o conseguissemos ser sempre.
A costumizada hierarquia revelou-se inutil no nosso caso e sinto-me muito bem por toda a partilha que entre todos os colegas houve. E sabe tão bem saber que a história da hierarquia só funciona num esquema de crescimento, não cada um em diferentes patamares, mas todos subindo ao mesmo ritmo, a crescer (cada um com os seus universos).
É por isso que hoje tenho muito gosto em saber que não há nada como contribuir para o crescimento de alguém. E não há nada de estranho em achar que orientar é nada mais que partilhar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

prática comprova teoria

a propósito do post anterior:

ontem pensei deitar para o lixo a caixa de fosforos vazia mas na verdade deitei a caixa que estava cheia. apercebi-me disso à minutos e lá tive de rir, claro.

conclusão -
quando a inteligência fica retida no pensamento há uma potencial felicidade à espreita.

dificuldades

na maior parte das vezes achamo-nos inteligentes, não no momento das acções ou nos actos. mas sim enquanto temos aquele ou o outro pensamento.

talvez essa seja a principal razão pela qual viver pode ser sinónimo de felicidade mas dificilmente será sinónimo de inteligência.

por vezes,

os meus pensamentos chocam.
e o acidente não é grave.

é agudo.

domingo, 11 de julho de 2010

moral da história

polvo alemão nomeado mascote da equipa espanhola.

vampiros

começo a desconfiar que com tantas novelas, filmes e séries sobre vampiros
ainda os acordamos.

marcas de infância

é agarrar num qualquer objecto, dar-lhe vida e movimento, e deixar-me entrar no mundo em que um copo com umas sobras gotas de àgua me entretia.

sábado, 10 de julho de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

eco

o eco não surge somente no fundo de uma escadaria ou numa casa sem mobilias.
os pensamentos também têm eco.
o silêncio, não a palavra ou o som, é o maior causador de eco.

sábado, 3 de julho de 2010

developmental disabilities?



http://www.gosprout.org/touring/

my first storyboard of an ad movie at school
it was about social problems

reason why?

tu cá tu lá

Mas quem disse que a expressão "tu cá tu lá"
é sinónimo de proximidade?

é que pensem: " tu cá ... tu lá "

sexta-feira, 2 de julho de 2010

nem o mais nobre

aquela impressão de que nunca ninguém te vai conhecer como és, é verdade.

e vais querer dar-te a conhecer e vais desejar que te conheçam e vais enviar todos os sinais possíveis e vais fazer tudo para que te conheçam. e vais mostrar as tuas musicas, o que escreves, vais opinar, vais dizer, vais ter, vais lá. e vais esperar que tudo resulte e por vezes podes até acreditar e por vezes, ainda por vezes, podem saber dizer-te.
e poderão ainda, esta por menos vezes que as anteriores, ter em si tudo de ti.
( normalmente esta só acontece uma vez na vida)

e no entanto, nem no mais singular sentimento, saberão conhecer-te, será sempre longe do que tu te sentes.
e guardarás em ti o mais nobre, com todas as gavetas abertas e portas e janelas, como quem guarda o desejo de ser feliz mesmo já o sendo.

e ficarás triste.

e o mais perto que estarás de te conhecerem é "ao longe"

terça-feira, 29 de junho de 2010

e hoje dirias o mesmo?

"Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo..."

"Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz.
E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...São precisos rituais."

por ocasião do 110º aniversário de Saint-Exupery

segunda-feira, 28 de junho de 2010

ser

não,
não
sou, és
o que penso

mas
sim
o que sinto

não tinha

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo,
assim triste,
assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples,
tão certa,
tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

Cecília Meireles

teimosia




persiste, persiste, persiste até não haver perguntas

Edward Hopper

segunda-feira, 21 de junho de 2010

perguntas

ao som do trompete, como quem sopra notas de música de sinfonia clássica em ritmo jazzuistisco, perguntas-me pela camisola amarela que fazia pandam com o porta chaves que teimosamente usavas naquele primeiro verão de setenta e oito, sempre com as três chaves dos teus três quartos.
Eu digo-te que o teu relógio memorial está atrasado, o verão da camisola amarela era o de noventa e oito, são vinte anos de diferença e parece ainda a vida uma criança.
Pergunto-te, eu agora como quem toca num piano já gasto pelas notas musicais de uma tal de boheme, que confusão é necessária ter para cortar vinte anos como quem pisca o olho no primeiro minuto que acorda.
Tu, em assalto à poesia que emanava de um som esbatido em notas soltas, soltas uma gargalhada como quem toca aquele instrumento que só se ouve com humor e sentido interpretativo de como uma anedota é a assaz resistência à permuta que se faz com o diabo.
Dizes - Não é o meu relógio memorial que está atrasado. Eu explico-te, a vida não é feita de tempo nem de anos. A vida é feita de espaço. Estamos num dos três quartos, o único que sobrou depois dos filhos crescerem. É nosso, outra vez, pela primeira vez sempre que assim o desejarmos ( um quarto será sempre novo se dormirmos com a mesma pessoa). Olha a tua volta e vê: voltámos a falar na cama. Tal como no verão de setenta e oito dias sem manhãs. Aquele em que todos os dias puxava da cadeira aquela camisa amarela ao mesmo tempo que tu, teimosamente me puxavas de volta à cama. Aquele em que o porta-chaves que no chão caia ao primeiro beijo que me davas se quase colava ao chão de nunca lá sair. Aquele em que não havia perguntas, para falarmos. Onde as manhãs não eram, só nós eramos.
E nisto digo-te - Nunca a minha resposta será o tempo. Nunca uma data saber-me-á situar no tempo. Só o espaço.
E sabemos, nada é uma questão de tempo.

without words

domingo, 20 de junho de 2010

editar

se te pedirem para descrever o que sentes por alguém e a tua resposta estiver na ponta da língua, duvida do sentimento. Ao mesmo tempo, se, por outro lado, demorares demasiado a dize-lo terás também em ti a duvida, não do sentimento, mas sim da razão que o sentimento tem em ti. Lembra-te, não há ideias, os sentimentos não têm regras, são de livre arbitrio. Excepto em repetição. Não podes repetir, não podes não sentir.

Ter e possuir sentimento é desresponsabilizar a forma como o dizer. O romantico, o directo, o simples, o erudito, o barroco, o eclético, o eloquente são somente formas, te-lo é somente ser verdadeiro. A verdade não se tem na ponta da lingua, a verdade do sentimento tem-se no acto de o sentir. E descreve-lo no mesmo tempo limite como dizer o nosso nome é torná-lo comum. E demorar demasiado tempo a descreve-lo é senti-lo de igual equilibro com a razão.
Talvez esse seja o unico equilibrio a quebrar.

17:48

toque...

bye bye train



Quem não já se sentiu numa paragem do comboio. Partiu e só as mãos assinalam o que se sente, em movimentos regulares, dizem adeus. Tal como a velocidade da saudade, assim nos despedimos. Rapidamente. Quem não já sentiu que quem ia no comboio, não era só o outro mas nós com ele.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

is gone...

temperar

se há coisa que eu gosto é de têmperos.

andei

andei no teu corpo há bem pouco tempo
sentei-me nos lugares mais impróprios
esgueirei-me no teu umbigo quando dançavas
na palma da tua mão passei adormecida
conversei de roda contigo
e respondias-me em movimentos
da palma da tua mão levavas-me à boca
não era sono, era estar próxima
falar na mesma lingua
dizem os que amam
que o sabor do beijo é igual
eu não sei se é igual

a unica coisa que sei
é que andei no teu corpo
que te procurei em cada pixel da pele
dizem os amantes da imagem
que os pixeis são o pormenor revelador da perfeição
e que neles o que vi
é o caminho
que não percorri de proposito
a estrada é larga demais para um só

domingo, 6 de junho de 2010

Rua das cartas sem regresso

honrar o código,
iluminar as ruas,
usar a toca do banho,
gravar o número de casa
na barriga o filho pródigo

era ve-los cumprimentar assim,
da primeira vez que o carteiro
lhe levou a primeira carta do divórcio

não fora à porta de casa,
mas sim, cá fora
no parque com altos jasmins
[ as flores tinham a altura do calor da estação ]
as casas só existem para se entrar,

como lera no jornal do dia:
quem cá mora
só sabe que a rua não é vazia
pelas mãos do recém contratado dos correios

terá ele sido enganado pelo nome da rua?

make you feel my love

quinta-feira, 29 de abril de 2010

re-ver




rever os dias, todos os dias, não é viver o mesmo por duas vezes. é viver de novo e, nessa plenitude da novidade, saber quais os sapatos que deveriamos ter calçado logo cedo pela manhã.

picture: Jodi Cobb-A Pair of Ballet Toe Shoes Rest Next to a Pair of Tennis Shoes

sábado, 17 de abril de 2010

histórias do mundo #1



repetição sinómimo de diferença.

um dia chegou, sentou-se no banco direito, em frente via uma estreita rua branca e amarela, com carros parados no meio, como se casas fossem. apostou que aquela rua era silenciosa demais para buzinas.
encostou-se à parede vizinha, mas voltou-lhe as costas. tal como a maioria dos vizinhos na verdade.
olhou em frente. a poucos metros avistou outros bancos, outras cadeiras, mesas e tudo eram lugares vazios.
pensou: o tempo revela-nos o movimento da vida. o olhar somente fixa. e a repetição do acto que supostamente devia fixar, faz exactamente o contrário, muda tudo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

eels



I'm nothing like what I'd like to be
I'm nothing much I know it's true
I lack the style and the pedigree
And my chances are so few

domingo, 11 de abril de 2010

desejos

quem é que nos enganou
dizendo que se pedissemos desejos no silêncio,
eles se realizariam?

Letra P

padres, papa, pedófilos, prisão, perpétua,
e
pasmada (eu).

I remember



...

I remember it well
There was wet in your hair
I was stood in stare
And time stopped moving

I want you here tonight
I want you here
'Cause I can't believe what I found
I want you here tonight want you here
'Cause nothing is taking me down, down, down...

...

I remember it well
I was stood in your line
And your mouth, your mouth, your mind...

I want you here tonight
I want you here
'Cause I can't believe what I found
I want you here tonight want you here
Nothing is taking me down, down, down...

Except you my love. Except you my love...

...

olhos cansados

tenho os olhos cansados,
não de ver.
.
.
de não ver. (te)

equilibrios

nem sempre somos o que somos,

por vezes,
somos muito menos do que aquilo que somos,
e noutras vezes, bastante mais.

contudo, seremos sempre cheios.
desde que do nosso copo ninguém beba.

ponto final

Sempre que se mete um ponto final, as virgulas esquecem-se.

domingo, 4 de abril de 2010

uma

não é que tenhamos de ser sempre o primeiro da fila, nem que tenhamos de ter a atenção desmedida, mas a ausência pela existência de outros, não deixa de fazer remoinho.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

word of mouth

maria gabriela llansol / saber esperar alguém


Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios.

sábado, 30 de janeiro de 2010

noite fria

se eu pudesse num tempo
abraçar as horas vazias
e gota a gota fazer cair
segundos de histórias

ajuda

pedimos tantas vezes. e às vezes não pedimos mas precisamos. e às vezes damos só a entender que precisamos. já o pedido é dificil.
[neste mundo somos tantos, temos tantos à nossa volta, há tantas possibilidades para testar]
Na ajuda podemos ter o mundo inteiro aos nossos pés e saber que na maior parte das vezes é inutil; é um acto verdadeiramente egoista e ao mesmo tempo altruista. Para com quem nos rodeia. Para quem nos quer ajudar.

firmeza




"When the sky falls and the Earth quakes
We gon put this back together
We won’t break"
Stranded (Haiti Mon Amour)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

domingo, 17 de janeiro de 2010

os quatro anuncios favoritos de uma criança de 2 anos

1 - o anuncio actual das bolachas oreo
2 - o anuncio actual do MacDonalds
3 - todos os do Meo
4 - o actual do pingo doce ( dos cozinheiros italianos com o bigode )

por bebe de banda desenhada

estas coisas que sao as generalizações

são para mim contra natura.
Sou contra, oponho-me e faria uma enorme texto sobre o tema se não bastasse simplesmente sê-lo. e se não bastasse simplesmente eu ser mais ninguém, além de mim.

entender o tempo

tenho para mim que é mais dificil entender o tempo do que as pessoas.

as pessoas mudam com o tempo, são conforme o tempo,
quando ontem estava tudo bem e hoje está tudo mal,
não é porque a pessoa seja outra e se torne mais complicada,
o tempo é que passa e se renova, e é sempre, sempre outro
é por isso que antes de sermos nós, é o tempo onde estamos que somos.

coisas que não lembram a ninguém, excepto a:

ora camara municipal de lisboa onde, quando e como é que se lembraram de lançar a tematica dos casamentos homossexuais nos casamentos de santo antónio? Bem sei que têm o dever de dar o exemplo para o resto do país, em como não tem preconceitos em relaçao a, mas vamos lá a ver... passado mais ou menos uma semana de finalmente haver uma decisao (acertada) acerca dos casamentos civis entre homossexuais, como é que vocês, dignissimos e inteligentissimos senhores, tem a sensatez de levar um assunto que deve ser seriamente convencionado, a um despautério que é as noivas do santo antónio?
com isto, até parece que é de proposito, a campanha da diesel - ver post anterior.

parece que ser estupido é, no minimo, ser irreverente

nova campanha da Diesel
BE STUPID
a ver:

sábado, 16 de janeiro de 2010

a beleza

discutivel se generalizada, enorme quando se avista/sente

"Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.

És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.

És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.

És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.

És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço. "

Miguel Torga, in 'Odes'

estas coisas que são as saudades

Vienna, Austria

no escuro, as luzes sobressaiem mais


é em tempo escuro,
no inverno, outono de nós
que as luzes se acendem com maior intensidade
talvez seja bom que olhassemos,
de quando em quando,
para cima